Alternativa ao Clubhouse: fale com uma pessoa, sem levantar a mão

No Clubhouse, a conversa acontece em salas de áudio ao vivo, sempre em grupo, e quem quer falar levanta a mão. Ouvir sem se identificar tem preço: a escuta anônima é um dos recursos do Clubhouse Plus, a assinatura paga do app. Logo acima, nesta página, está o chat de voz do Veilr: uma pessoa do outro lado, nenhuma plateia, e o anonimato vem por padrão, sem assinatura.

Quanto custa o anonimato no Clubhouse

O básico não custa nada. Entrar nas salas, falar e moderar não exige assinatura; o que se vende é o Clubhouse Plus. Na App Store dos EUA, em agosto de 2026, o plano mensal aparecia na faixa de US$ 4,99 a US$ 6,99, e o anual, de US$ 49,99 a US$ 59,99. A faixa existe porque a Apple muda o preço conforme o país, e não conferimos qual valor vale onde. Existem ainda as Coins, a moeda interna, vendidas de US$ 0,49 a US$ 24,99.

Entre os recursos do Plus, a central de ajuda do Clubhouse cita a escuta anônima, o histórico das fotos de perfil de outros usuários, a lista de quem viu o seu perfil e até 8 links no perfil. Quem assina fica menos visível e, ao mesmo tempo, passa a enxergar mais dos outros, inclusive as fotos antigas deles.

O telefone entra no cadastro

Sem conta não se usa o Clubhouse, e a conta não é anônima. A política de privacidade lista o que é pedido na criação: nome de usuário, nome, número de telefone, e-mail, senha e data de nascimento. Até 21 de julho de 2021 nem isso bastava, porque a entrada era só por convite; no começo daquele ano, convites chegaram a ser revendidos no eBay por até US$ 400.

Em abril de 2021, uma base com 1,3 milhão de registros de usuários do Clubhouse, com nomes e perfis de redes sociais, foi publicada num fórum de hackers. A empresa negou ter sido invadida e disse que aqueles dados já eram públicos. A defesa diz muito: se não houve invasão, o que expôs aqueles 1,3 milhão de registros foi o próprio perfil aberto.

Uma sala cheia não é uma conversa

O produto do Clubhouse é a sala: um moderador, quem está com a palavra e uma plateia em silêncio, ao vivo, sem vídeo e sem gravação. Você escolhe um tema, entra e escuta; para falar, levanta a mão e espera ser chamado. Para acompanhar um debate, funciona muito bem. Para trocar ideia com uma pessoa só, tem gente demais na sala.

No Veilr não existe sala. Um toque em Iniciar chat de voz e a busca procura alguém que também escolheu voz; quando vocês dois se encontram, a chamada não tem mais ninguém. Não engrenou? O botão Próximo põe você de volta na fila para encontrar outra pessoa.

O que o Clubhouse faz melhor

Foi ele que transformou a sala de áudio aberta, em que se entra e se sai quando quiser, num produto de massa. Em 2021, Twitter Spaces, Facebook e Spotify copiaram o formato. Moderação, mão levantada, papéis para quem fala: o Clubhouse fez tudo isso antes das cópias e com mais cuidado.

Dá para ficar só ouvindo, como num podcast, sem abrir a boca, e a barreira para participar fica mais baixa que em qualquer chat de vídeo. Quem cria conteúdo tem como ganhar: os pagamentos pelo Clubhouse Payments, com a Stripe, existem desde abril de 2021, e o programa Creator First pagava US$ 5 mil por mês a 24 atrações. As notas são altas, 4,8 estrelas em 790 mil avaliações na App Store e 4,5 em 592 mil no Google Play, onde o app passa de 10 milhões de instalações.

Onde ele tropeçou

Governos bloquearam o app em 2021. A China, em fevereiro, depois de discussões sobre Hong Kong e Taiwan; os Emirados Árabes Unidos e Omã, em março; a Jordânia, no fim de março. Em abril de 2023, a empresa anunciou o corte de metade da equipe.

O produto mudou de cara mais de uma vez. Em 2022, o app foi "dividido em muitos clubhouses"; entre 2023 e 2024, apostou em mensagens de voz assíncronas, os Chats; hoje, o site e as lojas voltaram a vender salas ao vivo. Quem ficou passou por três produtos diferentes com o mesmo nome em três anos.

No auge, em 2021, houve salas antissemitas e islamofóbicas documentadas. As regras proíbem gravar a sala sem permissão explícita, o que protege quem fala e, ao mesmo tempo, dificulta registrar um abuso.

O chat de voz do Veilr, sem assinatura

Para entrar. A porta é uma conta que você já tem, entre as que a tela de entrada mostrar. Ao contrário do cadastro do Clubhouse, ninguém pede número de telefone; também não há senha para criar nem modo visitante, e sem conta a busca não começa. No primeiro acesso vem um perfil curto, preenchido uma vez só, com nome, gênero, data de nascimento e idioma nativo. O Veilr é só para maiores de 18, e o servidor recusa o pareamento a contas com idade registrada abaixo disso.

Durante a chamada. Aqui, voz é só microfone: a câmera não é pedida, e a chamada não vira vídeo no meio. Do outro lado, a pessoa sabe seu gênero e sua faixa etária e, quando o país é conhecido, vê a bandeira dele. Chegam também sua foto desfocada, o selo Verificado ou de Boost que você tiver e o seu idioma nativo (dá para ocultá-lo no perfil); a idade exata, só para quem buscou com filtro de idade. Nome real, e-mail e cidade, o desconhecido com quem você foi pareado não enxerga, e ficar anônimo assim não custa nada. Mas o Veilr também tem um recurso que mostra mais do outro: quem está com Boost ativo, comprado ou ganho em recompensas, pode revelar a foto nítida da pessoa com quem conversa, só naquela conversa e sem que ela seja avisada.

O que o anonimato não cobre. Para montar a chamada de voz, o aparelho da outra pessoa pode receber o seu endereço IP, como em qualquer chamada entre dois aparelhos. A interface do Veilr não mostra IP a ninguém, e no chat de texto, que passa pelos nossos servidores, ele não chega ao outro lado.

Quando o idioma não é o mesmo. Se o seu idioma declarado e o da outra pessoa são diferentes, as legendas ao vivo podem ligar sozinhas quando a chamada começa, e a fala dela aparece escrita no seu idioma. São 34 idiomas de legenda. A conta nova ganha cinco minutos de legenda de graça; depois disso, os minutos vêm do Boost, de uma recarga ou de recompensas.

Para continuar depois. Adicionar aos contatos fica disponível durante a chamada e, por um tempo curto, também depois do fim. Funciona a dois: se só você toca, a outra pessoa recebe um pedido, e, se a chamada já terminou, esse pedido leva seu nome de exibição e sua foto. Quando os dois se adicionam, vocês deixam de ser desconhecidos: cada um passa a ter o nome de exibição e o e-mail da conta do outro, e a conversa segue no chat privado. Só nesse caso o histórico fica guardado.

O que se paga. Encontrar alguém e conversar é de graça em voz, texto e vídeo. Pagos, se você quiser, são o Boost, que entre outras coisas dá prioridade na fila, filtros rígidos e tradução ilimitada, e minutos extras de legenda, em compras avulsas, sem assinatura.

Clubhouse e Veilr, lado a lado

ClubhouseVeilr
Como é a conversaSala ao vivo em grupo: moderador, quem fala e quem ouveVoz a dois, uma pessoa por vez
Só ouvir, sem falarDá, como num podcastNão tem: toda chamada é conversa
AnonimatoEscuta anônima dentro do Plus, que é pagoPor padrão: o desconhecido não vê seu nome real, seu e-mail nem sua cidade
CadastroUsuário, nome, telefone, e-mail, senha e data de nascimentoUma conta que você já tem e um perfil curto; sem telefone e sem senha
O que se pagaPlus de US$ 4,99 a US$ 6,99 por mês ou de US$ 49,99 a US$ 59,99 por ano (App Store dos EUA); CoinsNada para achar alguém e conversar; Boost e minutos de legendas, avulsos
TamanhoMais de 10 milhões de instalações no Google Play; 4,8 estrelas com 790 mil avaliações na App Store (27/08/2026)Serviço novo e bem menor
No iPhoneApp na App StoreSó pelo navegador; o app do Veilr é para Android

Se a ideia é ouvir um debate, não tem disputa: a sala, a escala e o app de iPhone são do Clubhouse. O Veilr atende a outro pedido: falar com alguém a dois, sem entregar telefone nem nome real.

Como começar

  1. 1. Entre com uma conta que você já tem e complete o perfil curto, uma vez só.
  2. 2. No topo desta página, toque em Iniciar chat de voz. O navegador pede o microfone, não a câmera.

Perguntas sobre o Clubhouse

O Clubhouse acabou?

Não. Em 27 de agosto de 2026, a versão da App Store (26.08.20) tinha saído dois dias antes, e no Google Play a última atualização era de 21 de agosto. A empresa continua a mesma, a Alpha Exploration Co. O que não voltou foi o tamanho do auge de 2021.

Quando o Clubhouse foi lançado?

Em março de 2020, só para iPhone; os fundadores são Paul Davison e Rohan Seth. A versão para Android chegou em maio de 2021 e ficou disponível no mundo todo no dia 21 daquele mês.

Qual a idade mínima do Clubhouse?

Não existe um número único. Na App Store, a classificação é 13+; no Google Play, "Teen"; e a política de privacidade fala em coletar dados de menores a partir de 16 anos, com perfil privado por padrão para quem tem menos de 18. No Veilr, a idade mínima é uma só: 18 anos.

Dá para usar o Veilr no iPhone?

Dá, pelo navegador; o app é só para Android, no Google Play. Um aviso para quem viaja: no Reino Unido, o Veilr não está disponível.

Veja também

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