O Omegle fechou em 2023 — e hoje o nome é de outra empresa
O Omegle que as pessoas procuram — grátis, sem cadastro, no ar desde 25 de março de 2009 — foi desligado em 8 de novembro de 2023 pelo próprio criador, Leif K-Brooks, que o tinha lançado aos 18 anos. Digite o endereço hoje e alguma coisa abre, mas é outro produto, de outros donos, que pede login antes e moedas depois. O chat de vídeo aleatório que você veio procurar está nesta página: no Veilr você fala com um estranho por vez, no navegador ou no Android.
O que aconteceu, contado direito
Foram catorze anos apoiados numa única ideia: ninguém tinha conta. Sem e-mail, sem senha, sem perfil — você abria o site, apertava o botão e já estava conversando. O texto veio em 2009, o vídeo em março de 2010, e em volta disso cresceu o que ainda se lembra: as tags de interesse, o modo Spy, em que um terceiro mandava a pergunta e assistia dois desconhecidos discutirem, o chat de estudantes com e-mail .edu e a divisão do vídeo em seções monitorada e não monitorada, de 2013. Todo chat de vídeo aleatório de hoje, o Veilr incluído, trabalha no formato que ele desenhou em 2009.
E foi exatamente a conta que faltava que o matou. Sem conta, o serviço não conseguia manter fora quem tinha sido banido nem separar um adulto de uma criança. Em fevereiro de 2021 a BBC pôs isso no papel: em dez horas os repórteres caíram com dezenas de crianças, algumas de sete e oito anos; em duas horas, com doze homens se masturbando, oito homens nus e sete anúncios pornográficos. Depois da publicação o TikTok proibiu links para o site. A mesma reportagem contou mais de cinquenta processos contra pedófilos, em dois anos, em que a plataforma aparecia.
Depois veio a Justiça dizer a mesma coisa. No processo A.M. contra Omegle.com LLC, no Oregon, a autora tinha onze anos em 2014 quando o site a pareou com um homem de quase quarenta; seguiram-se três anos de exploração, e o pedido foi de 22 milhões de dólares. Em 13 de julho de 2022 o juiz Michael Mosman recusou arquivar o caso pela Seção 230 do Communications Decency Act. O ponto é o motivo: a ação não atacava o que os usuários escreviam, o que é protegido, e sim o PROJETO do produto — dava para tê-lo construído de um jeito que não colocasse crianças na frente de adultos. O tribunal se apoiou no precedente Lemmon v. Snap, e essa é uma das poucas brechas reais já abertas na blindagem da Seção 230. O caso foi acordado cerca de uma semana antes do fim do site, e os termos nunca foram divulgados. A regra de 18 anos, que estava no site desde 2022, era só uma caixinha para marcar: verificação de idade não existiu em momento nenhum.
Em 8 de novembro de 2023 o fundador desligou tudo e escreveu por quê, sem rodeio corporativo: manter o Omegle já não se sustentava "nem financeira, nem psicologicamente", e ele não queria um infarto aos trinta e poucos. A carta ainda reconheceu o dano real causado a pessoas e agradeceu a autora do processo pelo nome — coisa rara no ramo. Um mês depois, em 8 de dezembro de 2023, a Omegle.com LLC entrou com falência pelo capítulo 7 no Oregon, processo 6:23-bk-62287, declarando ativos entre um e dez milhões de dólares.
O que existe no omegle.com hoje
Em 5 de novembro de 2025 o domínio foi vendido no leilão da RightOfTheDot com a NamesCon, em Miami, por 3,1 milhões de dólares — um dos maiores negócios públicos de domínio do ano. No lote foram junto o omegle.tv e as marcas OMEGLE e TALK TO STRANGERS; os dados pessoais dos usuários ficaram expressamente de fora da venda. O registro WHOIS foi atualizado em 22 de maio de 2026 e traz como titular a RC Tech America Inc.
Ou seja, o endereço não é uma lápide. Verificado em 26 de agosto de 2026, ele responde e entrega um produto funcionando — só que não é o produto que o nome significa. Agora o login é obrigatório: as rotas de vídeo e de sala ao vivo mandam você para uma tela de entrada com Google, Apple e Facebook. Tem loja de moedas, com saldo e extrato, e uma assinatura mensal PLUS que se renova sozinha depois do teste, com níveis vip e svip. E tem o detalhe que resume o resto: o filtro por gênero vem com cota diária, e quando ela acaba a tela avisa que as tentativas do dia terminaram e oferece o upgrade para filtros ilimitados. Sair de um banimento também é compra por lá — existe taxa de desbanimento, paga recarregando. Quanto custa não dá para dizer: os preços só são informados a quem já entrou, então esta página não cita valor nenhum.
Do que o original era — grátis, sem conta, sem caixa registradora — não sobrou nada além do nome. Não há informação pública sobre quem toca o serviço hoje, como ele modera nem como trata idade, e nada liga Leif K-Brooks a isso.
Frente a frente, sem maquiagem
| Omegle, 2009–2023 | omegle.com hoje | Veilr | |
|---|---|---|---|
| Para entrar | Um clique, sem conta nenhuma | Login obrigatório por Google, Apple ou Facebook | Uma conta social que você já tem, mais o perfil curto; sem modo visitante |
| Escolher com quem falar | Só tags de interesse; filtro de gênero não existia | Filtro de gênero com cota diária; ilimitado se assinar | Grátis: sua escolha é tentada primeiro; rígida com Boost |
| O que o dinheiro compra | Nada — grátis nos catorze anos | Moedas, assinatura que renova, filtros, taxa de desbanimento | Boost e minutos extras de legenda; nada além disso |
| Voltar depois de um banimento | Trocar de IP | Pagar a taxa | Punição automática tem teto de 30 dias |
Duas dessas linhas são dele, e não adianta disfarçar. Um clique até a conversa ninguém que pede login supera, e catorze anos sem uma tela de pagamento é raridade num ramo em que quase todo mundo vende moeda. Encontrava gente na hora, em qualquer horário — algo como 50 milhões de visitas por mês antes de fechar e uns 70 milhões no começo de 2023, pelas estimativas de SimilarWeb e Statista — e coletava quase nada sobre ninguém: sem perfil, sem conta, sem vínculo com rede social. O Veilr pede conta na porta; o resto desta página é o que ela compra.
O que a conta compra
Escolher com quem falar, sem cota diária. Com o gênero no perfil, você diz com quem quer falar, e ninguém conta tentativas: aqui não há cota. Existindo alguém assim online naquele formato, a busca vai atrás dessa pessoa primeiro; não existindo, você é pareado com outra em vez de esperar. Idade e país entram como preferência: quando ninguém combina, o app marca esses itens como aproximados em vez de travar a busca. A escolha da outra pessoa é respeitada sempre. Com Boost, nenhuma das três afrouxa e você passa na frente da fila; quem se registrou como não binário é encontrado por quem escolheu "Qualquer". Interesses funcionam do mesmo jeito — coincidir tags sobe a pessoa na sua lista, mas quem não coincide em nada ainda assim é pareado.
Antes da primeira conversa, conta e perfil. Você chega com uma conta social que já tem — quais estão abertas, a tela de entrada mostra —, deixa no perfil, uma vez, como quer ser chamado, seu gênero, quando nasceu e seu idioma nativo, e não existe modo visitante nem busca sem conta; a regra é aplicada no servidor, não só na interface. O Veilr é só para maiores de 18 anos: as pessoas informam a data de nascimento no cadastro, e o servidor recusa o pareamento a contas com idade registrada abaixo disso. O estranho com quem você é pareado vê seu gênero, sua faixa etária e, quando o país é conhecido, a bandeira; em texto e voz, também sua foto desfocada (alguém com Boost ativo pode abri-la nítida naquela conversa, e você não fica sabendo), o selo Verificado ou Boost se você tiver, e seu idioma nativo depois que você o define — esse dá para desligar. A idade exata só aparece para quem busca com filtro de idade. Nome real, e-mail e cidade não aparecem para o estranho com quem você é pareado.
Punição com forma e com saída. Nenhum sistema automático bane para sempre: toda punição automática tem teto de 30 dias, o bloqueio definitivo depende de decisão de uma pessoa, e o aviso diz qual das duas foi — ele assume "automática" em vez de fingir uma revisão humana que não houve. O recurso é por e-mail. O outro lado disso é de propósito: a punição fica registrada no dispositivo e, quando cabe, no endereço de rede, então abrir conta nova no mesmo aparelho não foi feito para derrubá-la. Denunciar durante a conversa leva você para o próximo parceiro e mantém vocês dois fora do pareamento um do outro por 24 horas; bloquear de vez é escolha à parte, e vale para os dois lados.
Vídeo sem vitrine. Gravação de chamada de vídeo ou de voz nós não guardamos; se a conversa for denunciada, um único quadro parado pode ser visto pela equipe de segurança. Existe um filtro opcional de nudez para o vídeo que chega: ele roda inteiro no seu navegador e desfoca a imagem só para você. E não há publicidade dentro das conversas: pareamento ao vivo, chat privado e chamadas nunca carregam anúncio.
Falar a mesma língua não é condição. Escreva na sua e sua mensagem pode chegar ao outro na dele, com o original a um toque; toda conta grátis começa com um saldo de traduções e o Boost tira o teto — e se a tradução não estiver disponível a mensagem é entregue do jeito que você digitou. Quando os dois declararam idiomas diferentes, as legendas ao vivo podem entrar sozinhas no começo da chamada, no seu idioma, entre 34 idiomas de legenda: cinco minutos grátis na conta nova, depois Boost, recarga ou recompensa. A interface existe em 16 idiomas, português entre eles.
Leia também
- Índice de comparações
- Thundr — roleta pós-Omegle com moedas sobre um núcleo grátis.
- Flingster — o filtro de gênero mora na assinatura.
- Camgo — pareamento por interesses.
- Chat de vídeo — o formato desta página.
- Chat de texto — o mesmo pareamento, sem câmera.
Como começar
Entre com uma das contas sociais que aparecem na tela de acesso, preencha uma vez o perfil curto e toque em Iniciar videochat, na sala do topo desta página. O formato é definido antes da busca e não muda no meio: texto, voz e vídeo são três filas separadas. "Próximo" devolve você à mesma fila, nas mesmas condições, sem descontar nada. Uma informação que vale antes de entrar: o pareamento é global por padrão, uma fila por formato com filtros por cima em vez de salas por país, mas o Veilr não está disponível no Reino Unido.
Perguntas sobre o Omegle
O Omegle vai voltar?
O original não. A empresa foi liquidada em falência no capítulo 7, em dezembro de 2023, e o nome, o domínio e as marcas foram vendidos em leilão em novembro de 2025 para outro dono, que hoje mantém ali um produto diferente.
E o material antigo do Omegle que ainda circula?
Nada disso é operado pelo serviço original — ele não existe desde 8 de novembro de 2023, e nem o site nem a marca estão mais com quem o criou.
Os grupos de Omegle no Telegram são oficiais?
Nenhum grupo de Telegram é operado pelo serviço original: a empresa foi liquidada em 2023 e as marcas mudaram de mão em 2025.
Dava para escolher com quem falar no Omegle?
Não por gênero: o original nunca teve esse filtro — havia tags de interesse e sorte. No endereço de hoje o filtro existe, com cota diária e upgrade pago para tirar o limite. No Veilr escolher é grátis, e a escolha do outro lado é sempre respeitada.
O Veilr é grátis?
O pareamento é, nos três formatos, e escolher com quem falar também. Vendidos são dois itens: o Boost, que põe você na frente da fila e torna rígidas as suas escolhas, e minutos extras de legenda. Os preços aparecem no app.
Todas as marcas e nomes de serviço citados nesta página pertencem aos seus respectivos donos. O Veilr não é afiliado a nenhum deles, nem por eles endossado.